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ISSN, DOI e preservação: fazer com que sua revista ainda exista daqui a vinte anos

Identificar e preservar são dois problemas distintos com soluções distintas. Uma revista que resolve só o primeiro tem links que funcionam hoje e conteúdo que pode sumir amanhã.

📅 15 de setembro, 2026 ⏱ 8 min de leitura ✍️ Admin User
ISSN, DOI e preservação: fazer com que sua revista ainda exista daqui a vinte anos

Três camadas que se confundem o tempo todo

  • ISSN: identifica a revista como publicação seriada.
  • DOI: identifica cada artigo e garante que o link continue levando até ele mesmo que o site mude.
  • Preservação: garante que o conteúdo continue existindo mesmo que a revista deixe de existir.

São independentes. Dá para ter as três, duas ou nenhuma, e a maioria das revistas da região tem uma ou duas.

ISSN: um por suporte

O ISSN é atribuído pelo centro nacional do país onde a revista é editada, é gratuito na maioria dos países e é solicitado pela instituição editora. Duas coisas que passam despercebidas:

  • Se você publica em papel e on-line, precisa de dois ISSN distintos. Usar o do papel para a edição digital gera registros duplicados em todas as bases.
  • Existe o ISSN-L, que vincula as diferentes versões de um mesmo título. É o que convém declarar quando um formulário pede "o" ISSN da revista.

E uma regra: se o título da revista mudar, o ISSN muda. Não é opcional.

DOI: o link que não quebra

Um DOI é um identificador persistente que resolve para a localização atual do artigo. Seu valor não está no código, e sim no compromisso que a revista assume: manter essa resolução atualizada para sempre.

Para atribuir DOIs é preciso ser membro de uma agência de registro — Crossref e DataCite são as habituais no meio acadêmico —, o que tem um custo anual, com tarifas reduzidas para instituições de muitos países. Várias redes regionais e consórcios universitários oferecem filiações compartilhadas que baixam bastante a barreira: consulte sua biblioteca antes de descartar a opção por preço.

Três obrigações que vêm junto com o DOI e que vale conhecer antes de começar:

  1. Depositar metadados completos, não só o link. Autores com ORCID, afiliações, licença, resumo e, se possível, as referências citadas. Depositar as referências é o que permite que as citações entre revistas da região sejam contabilizadas.
  2. Atualizar a resolução se você migrar de site. Um DOI que aponta para um endereço morto é pior do que não ter DOI: promete permanência e não cumpre.
  3. Registrar também as correções e retratações, vinculadas ao artigo original.

Preservação: a pergunta incômoda

Se o seu servidor se perder amanhã e o backup falhar, onde está a sua revista? Os backups controlados pela própria equipe editorial não são preservação: dependem da mesma instituição, das mesmas pessoas e do mesmo orçamento que podem desaparecer.

Preservação de verdade significa que cópias do conteúdo estão distribuídas em instituições independentes da sua, com um compromisso formal de mantê-las. Existem redes específicas para isso no mundo das revistas acadêmicas, várias delas gratuitas ou de custo muito baixo para publicações pequenas, e algumas integradas diretamente aos sistemas de gestão editorial: ativam-se na configuração.

Um bom ponto de partida: pergunte na biblioteca da sua instituição e na sua rede regional de revistas que opção de preservação elas usam. Em muitos casos já existe uma e é questão de aderir.

Lista de checagem

  1. Temos ISSN para cada suporte e declaramos o ISSN-L?
  2. Atribuímos DOI a todos os artigos, incluindo os números retrospectivos?
  3. Depositamos metadados completos, com ORCID e referências?
  4. Participamos de alguma rede de preservação, e dizemos isso no site?
  5. Se a revista fechasse este ano, o conteúdo continuaria acessível?

A quinta pergunta é a única que importa de verdade. As outras quatro são o caminho para poder respondê-la com um sim.